Estar na Pele do Carlos

PÁGINA 12

Nossa, quanto tempo, meus amigos!

A vida as vezes dá um nó na gente, e quando vemos: 2 anos e meio se passaram desde meu último relato por aqui.

Confesso pra vocês que até me surpreendi e, se eu dissesse que estive em algum projeto mirabolante, estaria mentindo. Foram anos voltados para dentro. 

Como contei em um dos meus textos, a pandemia teve efeitos drásticos na minha saúde mental. Engordei 25 quilos e, de repente, me percebi depressivo e sem motivação alguma. Um momento doloroso, porém necessário. Fui obrigado a mudar meu estilo de vida que consistia em estar sempre rodeado de gente tanto no trabalho quanto no meu ciclo social, para o completo isolamento com meu marido. Forçadamente, tive que encarar meus fantasmas. Tomei a decisão inicial de retomar meu peso antigo, o que consegui em 6 meses, com dieta (sem Monjaro! que ainda não estava disponível) e com o hábito que viria a ser um grande balizador da minha vida depois dos 40: a caminhada diária. 

Desde então, muitas coisas aconteceram. 

Mudei do Jardins onde morei por anos para São Caetano, e fui presenteado com um parque ecológico chamado Chico Mendes, em frente ao meu apartamento. Um upgrade pra quem corria na ciclofaixa da Sumaré com a fumaça dos caminhões.  Lá, elaborei a minha rotina e criei consistência em minhas passadas. Fui percebendo que toda energia contida neste ser hiperativo e ansioso, poderia ser gasta nem um simples hábito que eu poderia levar para onde fosse.

Fui me aprimorando, ganhei meu primeiro fone sem fio (um caminho sem volta) e uma pochete esportiva que dá total liberdade às minhas mãos. Fiquei viciado no Google Fit e uso até hoje, para hoje para contabilizar meus passos diários. 

Há dois anos, a gente resolveu mudar para o interior. A família do Neto é daqui e queríamos morar em uma casa. Eu só tinha uma exigência: eu precisava morar perto de um parque. Deu certo e, hoje, o hábito que poderia ter sido momentâneo, se tornou indispensável. 

Eu caminho ou corro, depende do dia, ao menos 6 vezes por semana. É um tempo pra mim, seja para ouvir um podcast, pensar sobre um assunto pontual, ou simplesmente não pensar em nada, só ouvindo músicas. Consigo dizer que meu corpo pede esta atividade que, ao mesmo tempo que é pausa, é o contrário disso. 

Claro que existem os desafios. Ano passado eu perdi a Claire, minha cachorra com 16 anos, eu estava em São Paulo, não pude me despedir... Naquele momento, eu achei que meu mundo ia ruir. Por um momento eu não queria fazer mais nada. Eu me lembro do momento exato em que deu 16:30 no relógio, minha habitual, e eu pensar: hoje eu não vou. Estou triste, não vou e pronto. Porém, senti que precisava renovar aquela energia. Fui, corri com vontade aquele dia e, quando parei, tive uma crise de choro intensa. Sentado, suado e sozinho no banco da praça. Passou e segui o caminho de volta. A corrida daquele dia me ajudou a botar pra fora toda aquela tristeza. Valeu cada segundo. 

Neste momento, eu estou num período de 3 dias de molho, pois estive doente e é necessário também respeitar os limites do corpo. Hoje, acordei melhor e a primeira coisa que pensei:

— Ufa, finalmente vou poder sair pra correr!

Pra mim, é uma catarse diária. A chance de suar tudo aquilo que me deixa mal, renovar o ar, arejar a mente, as ideias. 

Agora, me conta você. Qual autocuidado você pratica pra te ajudar a atravessar a vida? 

Axé um ótimo ano a todos.

***

Carlos Stefano 

Gestor comercial, decorador, escritor e aficionado por relações humanas e suas ramificações, ele divide suas experiências na coluna Estar na Pele aqui do Bem do Estar.

***

*As opiniões expressas na coluna Estar na Pele não refletem diretamente as posições editoriais do Instituto Bem do Estar, são baseadas nas experiências dos colunistas e suas versões do fato, sendo a ideia da coluna um diário aberto onde autores podem expressar suas experiências de forma genuína se aproximando dos leitores.



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