Presenteísmo nas empresas: como a cultura do cuidado pode transformar o trabalho

Quando falamos sobre produtividade, retenção de talentos e desempenho profissional, muitas vezes olhamos apenas para metas, processos e indicadores. Mas existe um fator silencioso que impacta tudo isso de forma profunda: o bem-estar emocional das pessoas.

O presenteísmo — quando alguém está fisicamente presente no trabalho, mas emocionalmente ausente, exausto ou desmotivado — é um reflexo direto de ambientes que negligenciam a saúde emocional. E ele custa caro: em resultados, em relações e, principalmente, em pessoas.

Promover uma cultura de cuidado não é um diferencial. Hoje, é uma necessidade.

Quando a sociedade investe em saúde mental, todos avançam.

1. Reforçar a cultura organizacional é cuidar do clima emocional

Se uma empresa não oferece um ambiente emocionalmente saudável para seus colaboradores, manter a produtividade, reter talentos e reduzir o presenteísmo se torna praticamente impossível.

Pessoas que não se sentem bem onde trabalham, que enfrentam relações atravessadas por uma má gestão de pessoas ou por ambientes tóxicos, dificilmente conseguem se doar por inteiro. O resultado é desmotivação, conflitos, faltas frequentes, baixa criatividade e desgaste coletivo.

Por isso, realizar pesquisas de clima organizacional de forma contínua é essencial. Elas ajudam a identificar, a partir da escuta dos próprios colaboradores, onde estão os ruídos, as dores e também as potências. Mais do que aplicar questionários, é fundamental transformar os resultados em planos de ação reais, com acompanhamento e responsabilidade.

Cultura se constrói na prática diária — não apenas no discurso.

2. Bate-papos virtuais: vínculo também se constrói à distância

A prática de feedbacks regulares gera valor para a empresa na visão do colaborador. Ela comunica cuidado, reconhecimento, interesse pelo desenvolvimento e corresponsabilidade pelos resultados. Essa troca é essencial para prevenir crises e alinhar expectativas.

Mas, no trabalho remoto, isso não é suficiente.

Sem os encontros presenciais, é preciso criar também espaços para o informal, para a escuta sem pauta, para as conversas que não giram apenas em torno das entregas. Conhecer as pessoas para além do cargo é uma forma profunda de cuidado.

Demonstrar interesse genuíno por quem compõe o time fortalece vínculos, aumenta a confiança e cria ambientes mais humanos — mesmo através das telas.

3. Ambientes de descompressão online também são cuidado

Ambientes de descompressão são fundamentais para reduzir o estresse e ampliar a qualidade de vida no trabalho. E isso não precisa — nem deve — desaparecer no formato remoto.

É possível criar espaços virtuais para pausas, trocas leves e respiros:
salas de jogos online, encontros de meditação, práticas de respiração, rodas de conversa ou pequenos rituais coletivos ao longo da semana.

Em cenários incertos, como os que temos vivido nos últimos anos, investir nesse tipo de iniciativa é um ato claro de cuidado com a saúde física e emocional das equipes.

Cuidar não é apenas cobrar menos. É também oferecer espaços de respiro.

4. Comunicação interna eficiente é prevenção emocional

Ruídos na comunicação geram insegurança, especulações, conflitos e desgaste nos relacionamentos. Onde falta informação clara, sobram interpretações.

No trabalho remoto, a comunicação precisa ser ainda mais intencional, estruturada e empática. E-mail, reuniões por videochamada, mensagens instantâneas e plataformas de gestão não substituem o diálogo humano — mas podem sustentá-lo quando usados com consciência.

Comunicar bem não é apenas transmitir tarefas. É criar sentido, alinhar expectativas, acolher dúvidas e construir pertencimento.

5. Investir em saúde e qualidade de vida não é gasto. É base.

Ainda existe a crença de que investir em qualidade de vida é um custo extra. Mas, na prática, é exatamente o contrário: empresas que negligenciam isso pagam com adoecimento, afastamentos, queda de produtividade e alta rotatividade.

Qualidade de vida está relacionada a menos doenças, menos estresse, mais disposição e mais equilíbrio emocional. É dever da empresa oferecer condições adequadas de trabalho, respeitar normas de saúde e segurança, além de garantir ambientes confortáveis, físicos ou virtuais.

Cuidar das pessoas é cuidar da sustentabilidade do próprio negócio.

O presenteísmo não é um problema individual. Ele é um sinal de que algo, no sistema, precisa de atenção.

Empresas são feitas de pessoas. E pessoas precisam de escuta, vínculo, reconhecimento, descanso, sentido e cuidado.

Quando o trabalho se torna um espaço emocionalmente mais saudável, os resultados vêm como consequência: mais engajamento, mais criatividade, mais confiança e mais presença real.

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