Eu parei de fumar

Estar na Pele do Carlos | PÁGINA 12

Eu nunca pensei que realmente escreveria a frase abaixo, mas aconteceu.

Eu parei de fumar.

No dia em que escrevo a vocês, faz exatamente um mês desde que eu coloquei o último cigarro na boca. E hoje, não por acaso, no dia em que este texto vai ao ar, eu faço 46 anos. Um manifesto. Mas não tem sido fácil.

Foram 32 anos jogando todas as minhas ansiedades, medos, frustrações, alegrias no vício. Eu sentia que a gente era uma simbiose: sem um, não existiria o outro.

No programa que eu fiz pelo posto de saúde da minha cidade (Viva o SUS!), eles sugerem que você escolha uma data para parar. Me achei  inteligente porque programei o término desta relação no dia de uma ressaca, logo após o casamento de amigos. Eu, que já vinha reduzindo o álcool há algum tempo (assunto para um outro dia) resolvi tomar e fumar todas.

 Uma despedida.

Deu certo até agora. A rebordosa do dia anterior, juntamente com o adesivo de nicotina e a dose diária de bupropiona seguraram a minha barra nos primeiros dias. Eu realmente me via em posição fetal ouvindo música deprê e suando litros. Não aconteceu.

Segui com hábitos que eu não queria abandonar, como o café. Consegui desvencilhar um do outro. Pedi para que as pessoas não deixassem de fumar perto de mim, para que esta escolha fosse totalmente individual, porém um dia em uma discussão aqui em casa por um motivo banal, eu chorei num canto porque não podia fumar. Porque vocês precisam entender algo sobre mim: eu amava fumar. Pela segunda vez na minha vida (a primeira vez foi quando eu decidir emagrecer) eu tomei uma decisão e totalmente racional e adulta, baseada no que eu quero para o meu futuro.

Eu poderia dizer aqui pra vocês, como eu planejei o mês inteiro, que meu intuito era quebrar o ciclo familiar, e blá-blá-blá, e meu pai fumante, e mais blá-blá-blá... mas a real é que eu só tenho um medo danado de morrer e, agora que a água tá batendo na bunda, eu tô correndo atrás só prejuízo. Antes tarde do que nunca.

Já fiz alguns testes como, por exemplo, visitar meus pais e ver meu velho fumando na varanda de casa, sem mim. Fiz um botox no rosto pela primeira vez, em comemoração. Me mimei, como dizem os memes por aí.

Não consegui ainda perceber as várias vantagens que me venderam, como a volta do olfato ou do paladar. Percebi um leve aumento do meu fôlego e uma redução na rouquidão da minha voz (segundo motivo principal pelo qual decidi parar, cantar melhor para acompanhar meu violão mais ou menos.)

Eu até me perguntei, agora neste momento, o motivo pelo qual eu resolvi escrever sobre isso.

Em primeiro lugar, meu motivo foi totalmente egoísta: não fumar até a entrega deste texto, para não passar vergonha com as minhas amigas do BEM DO ESTAR. Pode parecer tolice, mas eu precisava deste motivo a mais, dentre todos.

E em segundo lugar, porque eu sei que é difícil. Estou neste momento fazendo a escolha de não fumar PELA 342.260 vez desde que eu parei. Desenvolvi até uma técnica: eu falo em alto e bom som: QUE VONTADE DE FUMAR. Onde quer que eu esteja, para me ouvir e decidir não fazê-lo.

Eu sei que muitos desafios virão. Mas estas escolhas diárias que faço, partem da primeira decisão: não quero mais fumar. Só consegui fazendo esta escolha consciente. No mais, sigo com uma falta que eu ainda não supri, fazendo a minha parte e torcendo pra dar tudo certo.

Torçam por mim e até a próxima.

P.S.: E já que hoje também é meu aniversário, resolvi fazer uma coisa diferente.

Em vez de presente, eu queria pedir uma coisa para vocês. Eu escolhi celebrar meus 46 anos também ajudando uma causa na qual acredito: o Instituto Bem do Estar.

Então, se você quiser me dar um presente de aniversário, doe para o Bem do Estar.

Não precisa ser muito. Cada contribuição ajuda o Instituto a continuar promovendo educação socioemocional, escuta e uma cultura de cuidado para que mais pessoas tenham acesso a espaços onde possam ser ouvidas e compreendidas.

🎁 Meu presente este ano pode virar cuidado para outra pessoa.

Doe. Compartilhe. Faça parte.

E, claro, continuem torcendo por mim. Porque amanhã tem mais um dia sem cigarro. E, aparentemente, mais uma oportunidade de eu falar em voz alta: QUE VONTADE DE FUMAR.

Obrigado pelo carinho. ❤️

Carlos Stefano 

Gestor comercial, decorador, escritor e aficionado por relações humanas e suas ramificações, ele divide suas experiências na coluna Estar na Pele aqui do Bem do Estar.


***

*As opiniões expressas na coluna Estar na Pele não refletem diretamente as posições editoriais do Instituto Bem do Estar, são baseadas nas experiências dos colunistas e suas versões do fato, sendo a ideia da coluna um diário aberto onde autores podem expressar suas experiências de forma genuína se aproximando dos leitores.



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