Sair do automático: práticas simples de atenção e autocuidado
Janeiro Branco chegou e com ele mais um momento de reflexão. Vivemos grande parte da vida no automático.
Acordamos, trabalhamos, resolvemos problemas, cumprimos agendas, incorporamos vários papéis ao nosso dia a dia e, quando percebemos, o dia acabou e nós, quase não estivemos nele ou ainda deixamos muita coisa para traz, o que muitas vezes pode gerar uma autocobrança.
Por isso, te convido a pensar diferente, ou melhor, a agir diferente. Que tal fazer uma pausa consciente? Não para grandes revoluções, mas para ter pequenos gestos que devolvem presença, clareza e conexão consigo mesma.
Presença não é estar o tempo todo calma(o) ou produtiva(o), mesmo porque isso nem é possível. Presença é habitar o momento, mesmo quando ele é simples, comum ou até desconfortável. É estar totalmente entregue ao que está acontecendo.
Você pode desenvolver alguns pequenos gestos que ajudam a sair do automático e estar presente
Respirar antes de reagir
Antes de responder uma mensagem, tomar uma decisão ou entrar numa conversa difícil, respire. Esse intervalo muda tudo, muda a forma como olhamos para a situação e com isso, nossa percepção e nos ajuda no processo de escolha.
Nomear o que sente
Perguntar a si mesma: “O que estou sentindo agora?” Dar nome às emoções reduz o ruído interno e amplia a nossa consciência emocional. É importante reconhecermos quando alguma coisa está acontecendo e nos deixando desconfortável. Só conseguimos trabalhar o que reconhecemos.
Fazer uma coisa por vez
Você não precisa dar conta de tudo e resolver tudo. Multitarefas nos afastam do agora. Presença nasce quando estamos inteiras(os) no que fazemos, seja trabalhando, conversando ou descansando.
Criar micropausas ao longo do dia
Não é sobre parar a vida, mas sobre interromper o piloto automático. Um café sem celular, um alongamento, um olhar pela janela. E, não se culpe por parar e respirar. Quando fazemos isso, recarregamos e olhamos mais para nós.
Escutar sem preparar resposta
Na escuta verdadeira, estamos inteiras(os) e sem julgamentos. Isso muda relações, vínculos e até a forma como somos percebidas(os). Por isso, quando for ouvir o outro, pare tudo que está fazendo e escute de verdade, sem ficar preparando respostas.
Janeiro Branco não é sobre prometer mudanças impossíveis. É sobre escolher consciência nos pequenos detalhes, é sobre olhar mais para si, reconhecer nossos sentimentos, para que possamos ter escolhas mais conscientes e que nos tragam mais benefícios.
Porque quando a presença se expande, a vida deixa de passar por nós, e começa a ser vivida.
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Andreza Bolato
Graduada em Psicologia pela Universidade Paulista, MBA em Administração pela FUNDACE - USP, e Pós graduação em Psicologia Positiva em andamento pela Pontifícia Universidade Católica do RS. É Life Coach pela Sociedade Latino Americana de Coaching e possui certificação DISC pela ATools. Tem experiência de 23 anos na área de Recursos Humanos, com desenvolvimento de pessoas, gestão de carreira e seleção. Atua como Coach para o desenvolvimento das competências comportamentais e na psicologia tem um foco para o autoconhecimento, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida, buscando a saúde física e mental.
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