Estar na pele da Andrea
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Um momento em que saí do automático e encontrei significado
Se tem uma coisa que eu gosto de falar é sobre saúde mental. Talvez por tudo que passei, tenho essa vontade de trazer mais consciência e menos tabu para esse assunto tão importante.
O piloto automático
Muita gente hoje vive no piloto automático. Sabe o que é isso? É viver sem consciência plena das suas ações. Você vai cumprindo a rotina, reagindo aos acontecimentos, sem se dar conta do que sentiu, do que o outro sentiu, do que realmente aconteceu naquele momento. Quando você vê, o tempo passou e você não viveu verdadeiramente, porque não estava 100% presente.
Comigo não foi diferente.
Meu despertar
Hoje, com 45 anos, consigo ver várias situações em que estava vivendo no automático ou tendo problemas com minha saúde mental sem nem saber nomear aquilo.
Foi quando tive minha primeira filha. Logo depois, estava num estado emocional muito complicado: chorava sem razão, não sabia o que estava acontecendo. Eu nunca tinha ouvido falar de depressão pós-parto. Não tinha informação sobre saúde mental. Não sabia que poderia comentar isso com um médico.
Tive a sorte de ter uma prima psiquiatra que, ainda residente na época, me explicou o que poderia ser e o que eu precisava fazer. Conversei com minha médica e, a partir desse momento, deram um nome para todas aquelas sensações. Foi quando comecei a me perceber. Mas saber o nome da condição era só o começo. Fui atrás de mais informação: queria entender o que estava acontecendo e por quê.
A vida acontece
Só que isso levou tempo. Muito tempo. Porque a vida acontece. Mesmo quando saímos do piloto automático por um momento, é muito fácil voltar quando o dia a dia nos engole.
Fiquei bem por um tempo. Depois voltei a ter uma depressão mais forte. Busquei outro médico em outra cidade. O diagnóstico foi o mesmo.
Mas dessa vez comecei a questionar mais. Por que eu estava sempre tão cansada? Não era só cansaço de mãe ou de trabalho. Era algo além.
Chegava no médico falando do cansaço. Os exames de sangue vinham bem. "Está tudo bem, só precisa descansar", diziam. Mas eu não ficava satisfeita com aquela resposta. Sabia que tinha algo mais.
Tomando as rédeas
Foi a partir desse momento que criei mais consciência para aquilo que estava sentindo e passando. Não deixaria o piloto automático entrar em ação. Eu tomaria conta da minha vida.
Depois de pesquisas, procurei uma médica de naturopatia. Descobri que tinha tireoidite de Hashimoto, e que é muito comum pessoas terem depressão por conta disso. Comecei uma dieta para tratar o Hashimoto e comecei a ver o sol voltando para minha vida.
Aquele cinza deu lugar ao azul. Estava fazendo dieta, exercícios, vivendo a melhor versão da minha vida.
Minha missão
A busca por conhecimento me fez pensar: quantas pessoas passam por situações assim e não sabem que podem buscar ajuda? Quantas estão sofrendo sozinhas?
E pior: quantas pessoas que não têm depressão julgam quem tem esse problema de saúde mental?
Por isso, falar de saúde mental é quase uma missão. Precisamos ter mais compaixão, entender o que é saúde mental, apoiar quem não sabe ou não consegue pedir ajuda.
A saúde mental é mais complicada que outras condições porque não é visível. Você já deve ter visto aquela frase: "nem sempre quem está sorrindo está tendo uma vida feliz".
Quem está com depressão profunda pode estar ali fazendo piada, dando risada, disfarçando no meio dos outros. Mas por dentro está totalmente ferida. E essa é a pior parte: você se sente totalmente sozinha, em outro mundo.
Meu convite
Seja curioso. Queira saber o que se passa com você e com o outro. Ninguém começa o dia querendo ficar para baixo ou ter pensamentos negativos. E muitas vezes é bem complicado sair dessa situação sozinho.
É uma doença invisível, mas que mata muita gente todos os dias por não terem tido a oportunidade de pedir ajuda ou de ter alguém ao lado que quisesse entender.
Quer ajudar? Informe-se! Saiba mais para poder se ajudar e ajudar os outros. O mundo todo conta com você!
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Andrea Britto
Brasileira-Canadense, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, empreendedora e apresentadora do podcast Dose de Energia. Apaixonada por desenvolvimento pessoal, tenho como objetivo de vida espalhar pelo mundo mensagens de inspiração, conhecimento e consciência sobre nossas mudanças e desafios. Acredito muito nas pessoas e que todos nós oferecemos o melhor que temos no momento em que estamos e, por isso, podemos sempre evoluir e então inspirar aqueles que nos observam - buscando assim um mundo melhor.
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*As opiniões expressas na coluna Estar na Pele não refletem diretamente as posições editoriais do Instituto Bem do Estar, são baseadas nas experiências dos colunistas e suas versões do fato, sendo a ideia da coluna um diário aberto onde autores podem expressar suas experiências de forma genuína se aproximando dos leitores.
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