Estar na Pele da Laura

PÁGINA 6

Eu não quero ser a primeira da turma

Sempre fui a primeira da turma. 

Sempre fui aplaudida, admirada, dita um modelo a ser seguido. 

Parece pedante falar isso assim. Me sinto desconfortável. Mas foi assim. 

Eu reconheço os privilégios que isso me trouxe, mas agora sem me enganar sobre o peso que veio junto com isso.

Segui engordando a armadura: para ser forte, inteligente, admirável...fiquei pequena dentro de tantas camadas que internalizei “ter que” ter/ser. 

Explodi. Joguei toda essa armadura pro ar. Me senti pequena, frágil, desimportante. 

Aprendi a questionar: o que é ser o melhor? Melhor em que? Melhor aos olhos de quem? Preciso ser a melhor? Por quê?

Contexto importa! A caminhada da vida de cada um não é comparável.

Aprendi a ter consciência de classe e privilégios: se fez do nada mesmo? (olhando aos que me comparavam). E aquele parente que já tinha ido e tinha alguma dica pra dar? E aquela herança que chegou do nada e deu a estabilidade financeira pra assumir o risco? E aquela casa pra onde voltar se tudo desse errado? 

Colocar nosso valor no externo e abraçar a narrativa da meritocracia é um caminho direto para uma vida pesada. 

Me permitir parar a correria constante do trabalho, encarar o ócio, o tédio, as atividades manuais e domésticas, muitas vezes ditas sem valor, potencializou meu caminho para sentir. Foi o cenário que possibilitou tomar contato com tudo isso e quebrar a repetição dessas dinâmicas internas que drenavam minha saúde física e mental. 

Comecei esse texto planejando dizer que é um pacote, que vem tudo junto: sucesso e peso. Mas agora me sinto esperançosa, de que deve haver outra forma de lidar com esse “sucesso”.

Talvez eu queira sim me sentir capaz, competente, admirada, só que sem esse peso de ter que. Podendo só ser. Um dia sim, no outro talvez nem tanto. Seguindo o fluxo dançante e inconstante da vida.  

Acolhendo a beleza imperfeita e vulnerável que é ser humano. 


***

Laura Amâncio Rezende

Encontrou na psicologia positiva uma ferramenta para construir um mundo mais saudável e mais feliz. Enquanto mentora indivíduos na busca das suas definições de sucesso e felicidade, vive na pele de uma esposa, empreendedora, vivendo no exterior.

***

*As opiniões expressas na coluna Estar na Pele não refletem diretamente as posições editoriais do Instituto Bem do Estar, são baseadas nas experiências dos colunistas e suas versões do fato, sendo a ideia da coluna um diário aberto onde autores podem expressar suas experiências de forma genuína se aproximando dos leitores.



Encontre apoio em saúde mental - Gratuito, acessível e perto da sua realidade

Procurar ajuda é um ato de coragem. Muitas vezes, o que precisamos é de um espaço de escuta, acolhimento e caminhos possíveis para seguir. Aqui, reunimos opções gratuitas ou de contribuição consciente para que ninguém deixe de cuidar da mente por falta de acesso.

encontre apoio

 

Leia também

Instituto Bem do Estar

Queremos gerar conhecimento aplicável sobre a saúde da mente


https://www.bemdoestar.org/
Anterior
Anterior

Presença para cuidar da saúde mental no dia a dia

Próximo
Próximo

Janeiro Branco: a depressão, a escuta e o diálogo que sustenta a vida