O mundo não fala sozinho. Ele fala com as nossas palavras.

"E você, o que o mundo aprendeu com o seu silêncio?"

 Todo março, as redes se enchem de homenagens às mulheres. Flores, frases de empoderamento, campanhas cor-de-rosa. E no dia 9, tudo volta ao normal.

Esta campanha não quer isso.

Esta campanha quer o desconforto necessário. A pergunta que não tem resposta fácil. O olhar honesto para dentro e para o lado.

Uma pergunta com duas faces

Inspirada na escritora Glennon Doyle, a campanha começa com uma pergunta para as mulheres: quem você era antes que o mundo te dissesse quem ser?

Mas ela não para aí. Porque essa pergunta tem uma outra face, voltada para todos nós:

O mundo não fala sozinho. Ele fala pela piada que ninguém contestou. Pelo silêncio diante do que machucou. Pela frase dita sem pensar que ficou para sempre.

A violência contra mulheres se alimenta exatamente disso. Não só de atos extremos. Mas de uma cultura construída frase a frase, silêncio a silêncio, omissão a omissão.

O que as cenas do cotidiano revelam

Durante a campanha, traremos situações concretas. Reconhecíveis. Desconfortáveis de propósito.

 O colega que viu a fala dela ser repetida por ele na reunião e todo mundo ouviu ele. E não disse nada.

O parceiro que nunca levantou a voz. Mas ficava diferente quando ela decidia sozinha. Até ela parar de decidir.

O amigo que sabia que algo não estava certo. E escolheu o silêncio porque a amizade era antiga e o assunto era difícil.

 

Nenhum desses é um monstro. São pessoas comuns. Em dias comuns. Fazendo escolhas comuns que têm consequências reais na saúde mental de mulheres reais.

Quando o feminino vira insulto

A campanha também traz outra camada, as frases que usam o feminino como rebaixamento:

 "Não chora que parece mulherzinha."

"Tá ficando um viadinho."

"Você joga igual mulher."

Essas frases não são inofensivas. Cada uma delas ensinou, a uma criança, a um jovem, a um homem, que sentir, cuidar, ser vulnerável é coisa de menos. E que menos sempre teve rosto de mulher.

Quando o feminino vira xingamento, é porque aprendemos a odiar o que há de humano em nós.

O que esta campanha propõe

Não propomos cura. Não prometemos transformação individual. Não estamos aqui para absolver ninguém com facilidade, nem para culpar sem nuance.

Estamos aqui para criar espaço de reflexão honesta. Para nomear o que raramente é nomeado. Para convocar a sociedade inteira, não como espectadora, mas como parte.

Porque a saúde mental das mulheres não vai melhorar enquanto a cultura que a adoece continuar sendo normalizada. E essa cultura somos nós. Construída por nós. E que só pode ser transformada por nós.

Bem-estar mental se constrói em rede. Ou se destrói no que escolhemos não ver. O que você vai escolher a partir de hoje?

Quando a sociedade investe em saúde mental, todos avançam.


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