Quem você era antes que o mundo falasse? (E o que o mundo aprendeu com o nosso silêncio)
Existe uma pergunta que a escritora Glennon Doyle ajudou a colocar em palavras e que não sai mais da cabeça de muitas mulheres: quem você era antes que o mundo te dissesse quem ser?
É uma pergunta aparentemente simples. Mas ela tem uma face que raramente é mostrada, voltada não para as mulheres, mas para todos nós:
E você: o que o mundo aprendeu com o seu silêncio?
Porque a violência contra mulheres não se sustenta sozinha. Ela se alimenta de silêncios coletivos. De tolerâncias normalizadas. De omissões que, somadas, criam o ambiente onde o apagamento de mulheres se torna possível, cotidiano e, às vezes, invisível.
O que vai sendo silenciado
A menina que grita de alegria e é mandada se comportar. A adolescente que sente raiva e ouve que está exagerando. A mulher adulta que chora e precisa se desculpar por isso.
Esse processo não é acidente. É aprendizado. E acontece porque alguém, muitas vezes sem perceber, ensinou, reforçou ou simplesmente não interrompeu.
A saúde mental das mulheres está diretamente conectada a esses apagamentos. Não porque mulheres sejam mais frágeis, mas porque vivem em uma sociedade que ainda cobra delas mais silêncio do que é justo. E que ainda absolve com facilidade quem contribui para esse silêncio.
O que esta campanha propõe
Não propomos cura. Não prometemos transformação individual. Acreditamos que saúde mental é construção coletiva e que começa com a disposição de olhar honestamente para o próprio papel nessa construção.
Esta campanha faz duas perguntas ao mesmo tempo. Para as mulheres: o que foi apagado em você? Para todos: o que você aprendeu a não ver?
Nenhuma das duas tem resposta fácil. Mas as duas merecem ser feitas. Com firmeza. Com cuidado. Sem absolvição fácil e sem perder a esperança de que a mudança é possível quando a responsabilidade é compartilhada.
Cuidar da saúde mental é um gesto coletivo. Quando a sociedade investe nisso, todos avançam.
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Procurar ajuda é um ato de coragem. Muitas vezes, o que precisamos é de um espaço de escuta, acolhimento e caminhos possíveis para seguir. Aqui, reunimos opções gratuitas ou de contribuição consciente para que ninguém deixe de cuidar da mente por falta de acesso.