Pequenos gestos que tiram do automático e expandem a presença

Quantas vezes o dia termina sem que se saiba exatamente quando ele começou? O cansaço que persiste mesmo sem esforço físico revela algo comum e pouco questionado: viver no automático. Janeiro Branco surge como um convite incômodo para perceber o quanto se está ausente da própria vida.

Sair do automático não exige grandes viradas. Às vezes começa ao adiar uma resposta, respirar antes de enviar uma mensagem ou perceber o tom da própria voz. Pequenas interrupções que devolvem escolha onde antes havia apenas reação.

Quem nunca pausa, vive sendo levado e quase nunca para onde gostaria.

Outro gesto simples é habitar o corpo. Ajustar a postura ao sentar, soltar a mandíbula, alongar os ombros entre uma tarefa e outra, notar quando a respiração encurta. O corpo sinaliza antes da mente. Ignorá-lo mantém o piloto automático funcionando.

Estar presente também aparece em ações cotidianas. Comer sem o celular, caminhar observando o entorno, ouvir alguém sem formular a resposta enquanto o outro fala. Não é fazer menos, é estar inteiro no que se faz. A presença reduz o ruído interno porque ancora a mente no agora.

Há gestos silenciosos, mas decisivos, como nomear o que se sente. Reconhecer irritação, cansaço ou tristeza antes que virem excesso. Dar nome não resolve tudo, mas organiza o suficiente para não transbordar.

Existe ainda um gesto que quase sempre é evitado. Não preencher todos os vazios. Permanecer alguns minutos em silêncio, resistir à necessidade de distração constante, permitir-se não produzir o tempo todo. O vazio revela o que está desalinhado.

Janeiro Branco não propõe resoluções grandiosas. Propõe presença cotidiana. Pequenos gestos não transformam a vida de uma vez, mas transformam quem se é dentro dela. E isso, pouco a pouco, muda tudo.

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Crys Feijes

Profissional dedicada à transformação humana, atuando há mais de doze anos com o propósito de auxiliar pessoas a alcançarem seu máximo potencial. Com experiência que reúne formações e atuações como psicóloga psicanalista, consteladora familiar pelo método Hellinger, parapsicóloga clínica, especialista em Psicologia Positiva, mentora de transição de carreira, supervisora psicanalítica, palestrante, relações-públicas (formada pela Metodista), consultora organizacional, treinadora comportamental, master coach, hipnoterapeuta clínica e ericksoniana, e escritora. Como idealizadora e fundadora do IOSI – Instituto Origem do Ser Integrado, dedica-se ao desenvolvimento integral do ser humano, promovendo saúde, bem-estar e equilíbrio biopsicossocial e espiritual.

Com sólida formação e prática, aprofunda seus estudos sobre a psique, comportamento e relações humanas, sempre valorizando a singularidade de cada indivíduo. Seu trabalho está centrado em temas como autoconhecimento, saúde integrativa, felicidade, empoderamento de habilidades e fortalecimento dos sistemas familiares. Esses pilares sustentam sua prática profissional e refletem seu compromisso com a humanidade.


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